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  • Cirurgião Dentista - Protesista

Alessane Silva

Belo Horizonte (MG)
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Christina Morais, Advogado
Christina Morais
Comentário · há 8 anos
Respondendo à questão levantada no trecho:

"R$357,23 por uma consulta simples e R$765,50 por consulta de análise de documentos, na minha humilde opinião muito justo por sinal, mas, seria algo dentro da realidade do nosso país?"

Acho que sim, que é algo dentro da realidade de nosso país. Se, no entanto, a causa for de R$ 200,00, como a doutora citou, há uma alternativa:

Indicar os JESP, ou a Defensoria Pública ou os serviços jurídicos gratuitos das faculdades próximas. É o jeito. Mas não despreze o cliente e não permita que ele se sinta mal por isso. Diga com jeitinho que infelizmente é advogada particular e não recebe honorários "do governo". E que por isso, vc não não pode atuar em causas de valor abaixo de certo valor, mas... E daí ofereça as opções. Seja gentil, mas não seja besta.

Mesmo gostando da profissão e atuando por amor, temos família pra sustentar e é até uma irresponsabilidade empatar dinheiro de sustento da família mantendo um escritório que não dá retorno suficiente nem pra uma feira. Seu filho adoece e vc tem que passar a madrugada inteira numa fila de hospital para ser atendida pelo SUS porque não tem um plano de saúde e no dia seguinte, tem audiência logo cedo. E vai pra audiência cansada e preocupada porque não tem sequer dinheiro pra comprar o remédio que o médico do SUS prescreveu. Isso é indigno. Você não terá condições de cuidar nem de sua família e nem do cliente, pois com a cabeça cheia de problemas financeiros insolúveis, é impossível se concentrar para fazer um bom trabalho.

Advocacia é amor sim, mas também é meio de vida. Não é "antiético" viver do fruto do nosso trabalho. Pelo contrário. Nada é mais ético e honrado na face da Terra. Nunca permita que te façam se sentir mal por isso. O dinheiro mais sagrado que existe é o que ganhamos para o pão de cada dia, lutando bravamente por cada centavo. Muita gente aí se diz "trabalhador", mas é péssimo funcionário, só chega atrasado, vive "aplicando atestado" (termo chulo usado por certos trabalhadores), tem preguiça do serviço e nunca cumpre um prazo, mas todos concordam que o salário dele é "sagrado", coitadinho, porque é um "trabalhador". Nós, advogados, também somos trabalhadores, pois trabalhamos. E não temos salário. Nossa remuneração são os honorários. E temos a ele o mesmíssimo direito que tem o trabalhador ao salário. E isso precisa ser "consertado" na consciência coletiva e cabe a nós, fazê-lo. Como disse Fátima Burégio, eduque seus clientes. Mas antes, eduque a vc mesma. Saiba o valor do seu trabalho e o cliente certo virá a você. Acredite.
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